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Entrevista: Aprender com o Presidente da Freguesia de Famalicão e Calendário

15 / mai. / 2026
No âmbito do projeto de Cidadania da turma, os alunos do 5.º D da Escola Básica D. Maria II entrevistaram o Presidente da Junta da União de Freguesias de Famalicão e Calendário, Ricardo Jorge da Costa Mendes. Descobriram, entre outras coisas, que o Presidente é um grande fã de golfe!

Alunos (A): O que o motivou a entrar na vida política?
Presidente da Junta (PJ): O que me motivou foi aquilo que motiva todas as pessoas que têm alguma preocupação, algum interesse pela sociedade. Agora uns têm eventualmente uma propensão para desempenhar cargos e outros, pura e simplesmente, têm só uma arte, que é se calhar a mais nobre de todas, só a propensão de ajudar a sociedade com o seu contributo, que também é um ato político. E, começa por aí, nunca fui, nunca planeei dizer assim «Ah, eu vou ser aquilo na política!». Não. Aconteceu quase por acaso, sempre. Há muita gente que não acredita nisto, mas é a pura realidade.

A: Antes de ser Presidente da Junta, que profissões desempenhou?
PJ: Algumas. Fui Vice-Presidente da Câmara aqui de Famalicão, durante catorze anos, e seis anos vereador. Antes fui assessor jurídico do Governo Civil de Braga, colaborei numa empresa de fazer publicidade e numa empresa multinacional.

A: Se não fosse advogado e político, que outra profissão gostaria de ter?
PJ: Eu, como sou meio hipocondríaco, se calhar seria médico. Com a idade isso passa, mas houve um período em que era mesmo; tinha as doenças todas e sabia tudo sobre todas as doenças.

A: Na política, qual foi o projeto ou situação mais desafiante que enfrentou?
PJ: A área que eventualmente me despertou mais interesse pela necessidade de exigir muita organização, algum espírito de solidariedade, estar muito sujeita à crítica e ao estado de necessidade das pessoas foi a Proteção Civil, que tem como lema “A Proteção Civil somos todos nós”. Enfrentei vários desafios: deslocava-me num jipe, gostei muito de trabalhar com o Sr. Comandante Aires Barroso, conseguimos um helicóptero, um heliporto. Portanto, acho que foi um trabalho que me deu muito gosto e que agora tem tudo para continuar a ser desenvolvido. Para mim, que conheço quase todos os campos de Proteção Civil do país, é o melhor.

A: Ambiciona algum dia candidatar-se a Presidente da República?
PJ: Isso é muito parado. O Presidente da República tem o poder de fiscalização e condução de algumas políticas, mas são sempre poderes limitados. Também não tinha jeito para esse cargo.

A: Nos seus tempos livres, o que mais gosta de fazer?
PJ: Faço ginásio sempre que posso, houve alturas em que conseguia fazer todos os dias, à hora do almoço. Tem duas vantagens; come-se menos e treina-se. Tento ter uma vida relativamente saudável, nesse capítulo. Sou federado na Federação Portuguesa de Golfe há 27 anos. Para além de tudo, é o desporto mais difícil do mundo, é muito desafiante. Eu, se tivesse a vossa idade, queria aprender a jogar golfe. Não é um desporto caro, ao contrário do que se pensa. Há pessoas que compram uma bicicleta por 5/10 mil euros; com isso, podem jogar golfe quase uma vida toda.

A: Quanto ganha um Presidente de Junta?
PJ: É variável. Se for um Presidente a tempo inteiro, numa freguesia com quase 20 mil eleitores, ganha perto de dois mil euros por mês. Se for a meio tempo, mil euros. Se não quiser tempo nenhum, são atribuídos cerca de 256 euros, podendo abdicar desse valor.

A: Como Presidente de Junta, que funções mais gosta de desempenhar?
PJ: Aqui tenho que saber um bocado de tudo, já estava habituado a isso, quando trabalhava na Câmara Municipal. Aguento mais e compreendo a burocracia que outros Presidentes de Junta. Tento fazer as coisas com formatos diferentes, embora a resistência seja muito grande. Há uma mudança significativa a acontecer, embora seja um processo demorado.

A: Que tipo de apoio(s) social(is) a Junta presta aos moradores?
PJ: A ação social da Junta tem um programa muito parecido com o da Câmara, com recursos mais limitados, como é óbvio, mas tem uma parte do seu orçamento que é utilizada para ajudar as pessoas num momento de necessidade. Ainda não temos os programas de que gostaríamos, como a Câmara tem o “Casa Feliz”, por exemplo, que permite a algumas pessoas fazerem obras, mas iremos ter em breve uma coisa muito parecida.

A: Como é que a Junta toma decisões sobre o dinheiro que gasta?
PJ: Em dezembro de 2025, apresentámos o orçamento para 2026, que é sempre uma previsão, não é exato. Mas a meta é cumprir tudo o que ali está. Essa decisão é tomada de acordo com as necessidades das pessoas, com aquilo que elas nos fazem chegar e com a discussão dentro do Executivo da Junta de Freguesia, que é formada por cinco pessoas, e depois pela Assembleia de Freguesia, que é formada por treze pessoas.

A: Que projetos inovadores tem em mente para a Junta?
PJ: Há muitos. Acho que devemos sempre construir a casa pelos alicerces, nunca pelo telhado. A maior dificuldade da sociedade de hoje é a solidão das pessoas mais idosas. E nós estamos a regulamentar um projeto que se chama “Transporte a pedido”. Destina-se a algumas situações que não sejam de emergência, de doença. Que permita, por exemplo, a uma senhora com 80 anos, que está isolada, não tem filhos, nem ninguém que a possa deslocar, e que quer ir ao cabeleireiro ou às compras. Dir-me-ão “Hoje em dia é possível trazer as compras a casa”, mas essa senhora, durante toda a sua vida, estava habituada a ir às compras. E esta é uma forma de ela se encaixar na sociedade. Outra possibilidade é aviar as receitas nas farmácias para as pessoas que estão acamadas ou com mais dificuldades.
Um outro projeto são bolsas de estudo para o nível superior, não tão restritivas como a Ação Social Escolar e outro designado “Bolsa de Empreendedorismo” para aqueles que resolvem tirar cursos profissionais.

A: Quais as diligências para resolver falhas na recolha de lixo, falta de ecopontos ou melhorar a limpeza dos espaços públicos?
PJ: Os ecopontos, neste momento, estão a ser mal utilizados em Famalicão, porque servem para as pessoas acumularem todo o tipo de lixo, “monstros” e não fazerem aquilo que é o propósito do ecoponto: a reciclagem.
A recolha de lixo é feita por uma empresa que a Câmara contrata através de um concurso público. Sei que haverá alterações relativamente grandes, principalmente aqui no centro urbano, seis recolhas por semana e que serão feitas de uma outra forma.

A: O que está previsto para a revitalização ou criação de novos parques infantis e zonas de lazer?
PJ: Estão previstas algumas coisas. Primeiro, há alguns que não são utilizados, portanto devemos dar-lhes outro fim e investir nos outros. A freguesia tem dois ou três, alguns bem tratados e outros que estão subdimensionados. Temos alguns projetos para tentar expandi-los, sobretudo com duas características: com equipamentos seguros e a maior limpeza/organização possível.

A: O que gostaria de melhorar na Educação?
PJ: A Educação é a semente do vosso futuro. Mas não é só a educação formal, que as senhoras professoras de Matemática e de Português que aqui estão vos ensinam, que é muito importante. Elas ensinam-vos outras características, como o comportamento, o respeito pelos outros. E a educação passa também pelo que os vossos pais vos dão, a educação que vós quereis ter, o respeito que tendes para com as pessoas e a grande vontade que todos devemos ter para aprender todos os dias. Se toda a gente pensar assim, as coisas funcionam.

Agradecemos muito o tempo e a disponibilidade que nos dedicou e desejamos que o Sr. Presidente continue a trabalhar com interesse, dedicação e orgulho. Os habitantes da União de Freguesias de Famalicão e Calendário esperam melhorias significativas durante o seu mandato!

Fonte: Agrupamento de Escolas D. Maria II
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